Roteiros e viagens

Uma viagem para conhecer as mulheres superpoderosas de Minas Gerais

1 de setembro de 2017

Minas Gerais

Mestras, guerreiras, poderosas. Assim são as mulheres da comunidade Campo Buriti, no Norte de Minas Gerais. São elas que dão origem às famosas bonecas de barro do Vale do Jequitinhonha. E é ao encontro delas que você pode seguir ao embarcar através do roteiro Do Barro À Arte, uma das experiências de turismo de base comunitário mais bem estruturadas do país.

A viagem começa na cidade mineira de Montes Claros (que tem aeroporto com voos regulares). É ali que o grupo se reúne para seguir, numa van, até Campo Buriti, num trajeto que leva até quatro horas.

O percurso é cansativo, verdade, mas a recepção acolhedora da comunidade faz você esquecer do tempo que ficou na estrada. Ali não tem pousada ou hotel. Ali, as mulheres do Vale recebem em suas casas – não é preciso muito tempo de conversa pra você se sentir parte da família.

A vivência da cultura e do dia a dia locais é pra lá de intensa. E ela começa já na primeira refeição, o jantar. Ali e ao longo da viagem, os sabores mineiros aparecem em receitas tão saborosas como tradicionais: arroz com pequi, feijão tropeiro, paçoca de carne, carne de sol com mandioca… Queijos, coalhadas e pães de queijo, claro, também aparecem nas mesas, adoçadas por quitutes como doce de leite, pamonha, bolo de fubá – nas oficinas de culinária você aprende a fazer algumas dessas delícias, no fogão a lenha!

A gastronomia, sem dúvida, é ponto alto do roteiro. Mas, no Jequitinhonha, a cerâmica é o prato principal. A ideia é que a experiência percorra todo o processo de fabricação das famosas bonecas. E, pra isso, é preciso colocar a mão na massa. Primeiro você acompanha as artesãs numa caminhada até o local onde o barro é extraído. Depois, modela sua própria peça, com a ajuda das melhores professoras dessa arte no país. Aí vem a pintura das peças e, na última noite, a cerimônia de queima, que deixa sua obra prontinha pra levar pra casa.

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Turismo comunitário

O turismo, através de um roteiro construído pelas comunidades locais, é uma fonte de renda essencial para as famílias. Além disso, a atividade empodera as mulheres e estimula a participação das jovens na tradição cerâmica e na dinâmica das visitas turísticas.

No Vale, as mulheres vivem sozinhas cerca de nove meses do ano – os homens precisam trabalhar em lavouras ou até em outros estados, por conta das dificuldades econômicas na região. É nesse cenário que elas trabalham, modelando peças que retratam seu cotidiano e sua fé. Ao longo dos cinco dias de viagem, elas vão te contar essas e muitas outras histórias – histórias que conduzem a viagem a uma experiência única, transformadora, inesquecível.

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O roteiro Do Barro à Arte está no Guia Garupa do Brasil Autêntico.

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