Expedições Garupa

Expedições Garupa: turismo comunitário em território indígena

15 de dezembro de 2017

Um ano para fazer história. Ou, para começar a escrever uma história que vai transformar a vida das comunidades ribeirinhas do Médio Rio Negro I e Médio Rio Negro II, no coração da Amazônia brasileira.

As Expedições Serras Guerreiras de Tapuruquara, realizadas entre outubro e o início de dezembro de 2017, geraram renda e ajudaram no resgate da cultura e da autoestima em cinco comunidades, impactando a vida de 495 moradores. E essa história está só começando.

O início

Tudo começou em 2012. Ali foi aprovada a Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial das Terras Indígenas (PNGATI), com o objetivo de garantir e promover as iniciativas indígenas com vistas à proteção, à recuperação, à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais das terras e territórios.

Em 2015, a FUNAI publicou uma Instrução Normativa (IN) regulamentando as atividades de visitação em Terras Indígenas. Ambas as medidas favoreceram a criação de um Plano de Visitação, pelas comunidades, com o objetivo de desenvolver o Turismo de Base Comunitária Indígena.

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O destino 

As Serras Guerreiras de Tapuruquara (Iwitera Maramuywera Tapuruquara Suiwara, na língua Nheengatu) ficam no município de Santa Isabel do Rio Negro (antiga Tapuruquara), nas Terras Indígenas Médio Rio Negro I e Médio Rio Negro II.

A região é habitada por oito etnias (Baré, Kuyauí, Piratapuya, Desana, Tukano, Tariana, Baniwa e Dow), que vivem ali há milhares de anos. Elas preservam suas tradições nas festas, danças, rituais, nos conhecimentos de agricultura e cultivo na floresta, na confecção de artefatos e utensílios de fibra e cerâmica e nas histórias e mitos que explicam os significados de cada processo. Tudo isso aliado à espetacular diversidade natural do Rio Negro.

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O desafio

Os povos indígenas da região enfrentam problemas complexos para a gestão territorial e ambiental. São conflitos geracionais, adensamento na ocupação territorial e, muitas vezes, migração para as zonas urbanas mais próximas. Enfrentam, ainda, as pressões e ameaças externas de narcotráfico e mineração, dificilmente fiscalizadas pelas precárias estruturas do Estado.

O objetivo do projeto é auxiliar as comunidades na estruturação de roteiros que conectem a população brasileira e mundial com seus modos de vida, e que chame a atenção para a importância de apoiá-los na preservação de um patrimônio único: a Amazônia.

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As viagens

Foram realizadas quatro viagens entre outubro e o início de dezembro de 2017. Cada expedição foi formada por grupos de 10 pessoas – todas inscritas através do site serrasdetapuruquara.org. Elas foram selecionadas pela equipe da ONG Garupa após entrevistas individuais que levaram em conta, entre outros aspectos, a experiência nesse tipo de viagem.

Dois grupos percorreram o roteiro Iwitera (serra, na língua Nheengatu); outros dois, o roteiro Maniaka (mandioca). O primeiro tem perfil mais aventureiro e o segundo, mais cultural, mas ambos ofereceram experiências diversificadas (ou seja, aventura e cultura para todos os viajantes).

Ao longo de cada viagem, cinco comunidades foram visitadas. As hospedagens, as refeições, a participação em oficinas, festas e rituais e os passeios guiados pelos próprios moradores, como trilhas, roteiros de canoa e visitas a cachoeiras, fizeram parte da vivência.

Antes de deixar cada comunidade, os integrantes das expedições realizaram rodas de conversa com os moradores, para trocar impressões sobre a experiência.

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Os resultados

As expedições foram viagens técnicas que avaliaram os roteiros turísticos elaborados pelas comunidades indígenas do Rio Negro.

A profunda organização dos moradores nas divisões de trabalho chamou a atenção, e a imersão proposta por eles, através das atividades planejadas, deu a dimensão da diversidade local – não só de paisagens, mas também dos diferentes usos do território e da interação dos povos indígenas com o lugar.

A mobilização local para o turismo estimulou a discussão coletiva e incentivou a produção de artesanato. As peças foram vendidas aos viajantes e, no mês seguinte às expedições, também foram comercializadas em feiras na sede do município, Santa Isabel do Rio Negro.

O dinheiro do turismo chegou direto para as comunidades através da ACIR – Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas. Parte da renda foi direcionada para as famílias, e outra parte será usada em investimentos coletivos, acompanhados pela associação.

Os próximos passos

A avaliação das viagens e do plano de visitação, feita pelas equipes do ISA e da Garupa, foi compartilhada com as comunidades em março deste ano.

Nessas reuniões foram realizadas, também, discussões sobre ajustes nos roteiros, melhorias em relação à infraestrutura e comercialização de artesanato e outros produtos, além da definição do calendário de 2018 – as expedições serão realizadas no segundo semestre, entre agosto e dezembro.

Confira todas as datas no site do projeto: serrasdetapuruquara.org

Os parceiros

Os roteiros-teste da Expedição Serras Guerreiras de Tapuruquara foram desenvolvidos pela Garupa em parceria com o ISA (Instituto Socioambiental), a ACIR (Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas), a FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), com apoio da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e do ICMBIO (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

Vídeo Direção e Fotografia: Marcelo Monzillo; Edição e montagem: Rodrigo Aranha; Produção local: Camila Sobral Barra; Apoio: H3000, Aliança pelo Clima e RFN

 

Fotos Paula Arantes

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