Santa Isabel do Rio Negro, AM

Serras Guerreiras de Tapuruquara

  • O destino

    As Serras Guerreiras de Tapuruquara (Iwitera Maramuywera Tapuruquara Suiwara, na língua Nheengatu) ficam no município de Santa Isabel do Rio Negro (antiga Tapuruquara), nas Terras Indígenas Médio Rio Negro I e Médio Rio Negro II.

  • Sua riqueza

    A região é habitada por oito etnias indígenas, que vivem ali há milhares de anos. Elas preservam suas tradições nas festas, danças, rituais, nos conhecimentos de agricultura e cultivo na floresta, na confecção de artefatos e utensílios de fibra e cerâmica e nas histórias e mitos que explicam os significados de cada processo. Tudo isso aliado à espetacular diversidade natural do Rio Negro.

  • Uma oportunidade

    A Política Nacional de Gestão Ambiental e Territorial das Terras Indígenas (PNGATI) foi aprovada em 2012 com objetivo de garantir e promover as iniciativas indígenas com vistas à proteção, à recuperação, à conservação e ao uso sustentável dos recursos naturais das terras e territórios.

    Em 2015, a FUNAI publicou uma Instrução Normativa (IN) regulamentando as atividades de visitação em Terras Indígenas. Ambas as medidas favoreceram a criação de um Plano de Visitação, pelas comunidades, com o objetivo de desenvolver o Turismo de Base Comunitária Indígena.

  • O desafio

    Os povos indígenas da região enfrentam problemas complexos para a gestão territorial e ambiental. São conflitos geracionais, adensamento na ocupação territorial e, muitas vezes, migração para as zonas urbanas mais próximas. Enfrentam, ainda, as pressões e ameaças externas de narcotráfico e mineração, dificilmente fiscalizadas pelas precárias estruturas do Estado.

    O objetivo do projeto é auxiliar as comunidades na estruturação de roteiros que conectem a população brasileira e mundial com seus modos de vida, e que chame a atenção para a importância de apoiá-los na preservação de um patrimônio único: a Amazônia.

  • Parceiros

    Os roteiros-teste da Expedição Serras Guerreiras de Tapuruquara foram desenvolvidos em conjunto com a ACIR (Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas), a FOIRN (Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro), o ISA (Instituto Socioambiental), com apoio da FUNAI (Fundação Nacional do Índio) e do ICMBIO (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade).

  • A expedição

    Foram realizadas quatro viagens entre outubro e novembro de 2017. Cada viagem foi formada por grupos de 10 pessoas – todas inscritas através do site serrasdetapuruquara.org. Elas foram selecionadas pela equipe da Garupa após entrevistas individuais que levaram em conta, entre outros aspectos, a experiência nesse tipo de viagem.

    Dois grupos percorreram o roteiro Iwitera (serra, na língua Nheengatu); outros dois, o roteiro Maniaka (mandioca). O primeiro tem perfil mais aventureiro e o segundo, mais cultural, mas ambos oferecem experiências diversificadas (ou seja, aventura e cultura para todos os viajantes).

    Ao longo de cada viagem, cinco comunidades foram visitadas. As hospedagens, as refeições, a participação em oficinas, festas e rituais e os passeios guiados pelos próprios moradores, como trilhas, roteiros de canoa e visitas a cachoeiras, fizeram parte da vivência.

    Antes de deixar cada comunidade, os integrantes das expedições realizaram rodas de conversa com os moradores, para trocar impressões sobre a experiência.

  • Resultado

    As expedições Serras Guerreiras de Tapuruquara foram viagens técnicas que avaliaram os roteiros turísticos elaborados pelas comunidades indígenas do Rio Negro.

    A profunda organização dos moradores nas divisões de trabalho chamou a atenção, e a imersão proposta por eles, através das atividades planejadas, deu a dimensão da diversidade local – não só de paisagens, mas também dos diferentes usos do território e da interação dos povos indígenas com o lugar.

    A mobilização local para o turismo estimulou a discussão coletiva e incentivou a produção de artesanato. As peças foram vendidas aos viajantes e, no mês seguinte às expedições, também foram comercializadas em feiras na sede do município, Santa Isabel do Rio Negro.

    O dinheiro do turismo chegou direto para as comunidades através da ACIR – Associação das Comunidades Indígenas e Ribeirinhas. Parte da renda foi direcionada para as famílias, e outra parte será usada em investimentos coletivos, acompanhados pela associação.

    A avaliação final das viagens e o plano de visitação, com ajustes nos roteiros, são realizados em conjunto pelas equipes da Garupa e do ISA, que continuam trabalhando no desenvolvimento do projeto.

Garupa

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