Paraty, RJ

Histórias de pescador

Ilha do Araújo

manifestação cultural pousada domiciliar

A experiência única

Passear de canoa, fazer trilhas pela mata, pescar com rede para pegar o peixe da próxima refeição – tudo isso na companhia dos moradores da ilha, que contam as histórias do lugar e compartilham o seu dia a dia.

O destino

A ilha é a maior da baía de Paraty, mas isso não quer dizer que ela seja enorme: são apenas dois quilômetros de extensão por um de largura, e parte desse território é tomado por casas particulares. Da outra parte, um cenário bucólico formado pela Praia do Pontal e pela igrejinha de São Pedro, quem cuida – com muito carinho – é sua comunidade.

As cerca de 170 famílias que moram na Ilha do Araújo sempre viveram da pesca. Essa história começou a mudar entre os anos de 1999 e 2000, quando um programa de reciclagem de lixo foi iniciado. Ele era financiado pelos moradores de um condomínio da Praia de Laranjeiras, também em Paraty, que faziam visitas ocasionais à ilha para ver como o programa era desenvolvido.

Foi ao longo dessas visitas que o líder comunitário e pescador Almir Tã percebeu que o interesse dos “patrocinadores” não era só pelo programa, mas também pela comunidade, pelos seus costumes, sua cultura. Ele percebeu também que a ilha, que até então só recebia o turismo de massa (através dos passeios de barco), poderia começar a atrair outro tipo de visitante – que passasse mais tempo em contato com a comunidade, gerasse mais renda aos moradores e, indiretamente, ajudasse a manter vivas muitas das tradições do lugar.

Mas, para isso, algumas coisas teriam que mudar. Primeiro foi a comunicação: Almir, que trabalha com turismo desde 1975, passou a oferecer um novo modelo de visita às agências de turismo de Paraty. Depois, através de um projeto patrocinado pela companhia aérea TAM (hoje LATAM), algumas casas de moradores foram reformadas e preparadas para receber hóspedes. Aos poucos, o perfil dos visitantes foi mudando. E o lugar começou a receber, com cada vez mais frequência, gente interessada no modo de vida, nas tradições e na cultura tradicional da ilha.

Para uma imersão completa, com tempo de sobra pra curtir tanto o dia a dia dos moradores como pra relaxar na praia, por exemplo, a dica é ficar de dois a três dias. Mas quem não tem tanto tempo pode optar pelo “day use”. Você chega por volta das 9h e é recepcionado, na Praia do Pontal, por um guia local (às vezes o próprio Almir), que conta a história do turismo de base comunitária na ilha. O passeio inclui visitas à igrejinha, à biblioteca comunitária e ao centro de cultura, além de deliciosos banhos de mar e uma refeição baseada em alguma receita tradicional caiçara, sempre com pescados fresquinhos.

Está neste Guia por que

– O turismo gera renda direta e indireta para famílias que viviam exclusivamente da pesca.

– Almir Tã, idealizador do projeto, mantém um programa de formação de jovens para o turismo de base comunitária, tanto na Ilha do Araújo como em outras localidades de Paraty.

– O programa de reciclagem do lixo que começou da Ilha virou referência e foi implementado pela prefeitura em toda a cidade.

Garupa

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